Boaventura

Vigilantes em Pernambuco e no Brasil prontos para novos desafios.

O Sindicato dos Vigilantes do Estado de Pernambuco tem tomado a dianteira e se tornado pioneiro na condução de um debate estratégico para a nossa categoria: o futuro e a qualidade deste futuro. Tendo como ponto de partida os grandes eventos previstos para o nosso país, os vigilantes vão a um verdadeiro divã, resgatando as lições do passado e do presente e prospectando o futuro, puxando para perto os parceiros públicos ou privados para compartilhamos dessas reflexões fundamentais para o nosso viver.

Não é demais passar a limpo algumas lições:

•Saímos da condição de vigias ou sem profissão para profissionais com status próprio e condição de comprovar nossa competência e nossa qualidade;

• Enfrentamos o debate e conseguimos ajustes nas jornadas de trabalho, tornando-as mais justas e mais adequadas as nossas expectativas, sem perder de vistas que ainda não alcançamos o modelo ideal, que proteja principalmente a nossa saúde e bem físico e psíquico;

•Avançamos no debate sobre equipamentos e condições de proteção para a execução do nosso trabalho, principalmente com a obrigatoriedade do colete a prova de balas;

• Com a nossa atuação temos ocupado espaços institucionais importantes e feito a diferença nos embates não tradicionalmente sindical, como nos legislativos municipais, estaduais ou federal, bem como no executivo e no judiciário, fazendo-nos ouvir, seja pela vozes dos nossos lideres ou mesmo pelas roucas e estrondosa da massa vigilante. E neste capitulo Pernambuco tem servido, mais uma vez, como exemplo a ser seguido por todos, como ficou patente no embate vitorioso contra o PL da Câmara do Recife que proibia transporte de valores durante o dia e significava o desemprego de centenas de pais de família. Neste episodio muito valeu a capacidade de articulação das lideranças, mas, sem duvida, o tiro de misericórdia foi um auditório da Câmara lotado de valentes vigilantes;

• Temos feito da nossa atuação um capitulo fundamental na vida e no cotidiano das pessoas, da cidadania e indispensável para o funcionamento de alguns setores da sociedade. Mesmo com toda a ferocidade da tecnologia o vigilante ainda é fundamental em bancos, escolas, no transporte de valores e em diversos outros setores da vida do nosso país.

Mas a vida real, o cotidiano nos revela desafiador a cada minuto e desse desafio não temos como correr, tampouco pensar em enfrentá-lo de uma forma amadora e improvisada.

Há uma fatalidade qualquer, levanta-se uma duvida sobre a qualidade do vigilante.

repito, OS vigilantes, escondendo nesta atitude a falta de apoio operacional e psicológico da empresa ou mesmo a total falta de condições operacionais das mesmas, bem como a omissão ou conivência dos contratantes.

No caso da atuação dos estádios de futebol, empreendimento privado com os serviços gratuitos ou graciosos do poder publico, também escondem que a intenção de nos desqualificar objetiva manter seus quinhões de propina e vantagens indecentes as custas dos nossos impostos. Nunca foram honestos para questionar a atuação dos vigilantes nos estádios europeus. Há, mas lá não existem as chamadas torcidas problemas. Mentira. E os holligans ingleses e outras torcidas tidas como problema e que não respeitam fronteiras.

Em verdade, desmentindo todos os desaforos e discursos imbecis dos datena, somos capazes, competentes e muito bem preparados. Lamentavelmente trabalhando para empresas que, em sua grande maioria e repetimos, a grande maioria, são meras intermediadoras de mão-de-obra, sem qualquer compromisso de vender segurança, de prover a segurança de nada, de oferecer nenhum suporte aos profissionais, sempre solitários e rezando para Deus os proteger.

Mas diagnosticar as nossas qualidade não pode significar uma oração a acomodação, ao ta tudo ok. Ao contrario. O desafio é provar de todas as formas (mais cursos, mais conhecimento, mas presença na vida política, social e cultural das nossas comunidades) que podemos ser sempre melhores e mais desafiadores. Num dos poucos países do mundo em que falamos só uma língua (em quase todos os países africanos, por exemplo, fala-se mais de uma língua, mesmo que sejam línguas locais), como podemos enfrentar de igual para igual eventos como copa do mundo de futebol ou olimpíadas sem superarmos minimamente esta barreira ?

Nesta caminhada um capitulo especial, que nos alinhou nas frentes de batalha deste os nossos primeiros passos profissionais e que continua tão ou mais desafiador que antes é o reconhecimento e a valorização.

Um reconhecer e um valorizar que inexoravelmente precisa começar no intimam de cada um, até porque se nós mesmos não nos damos valor, quem vai nos valorizar? Depois é entender do nosso valor e nossa força coletiva. Sem vigilante, por exemplo, banco não pode abrir, não há segurança para as pessoas freqüentarem uma agencia. Sem os nossos ombros para carregar os malotes de dinheiro, não vai ter como circular o capital que fazem os ricos mais ricos e os pobres entregarem o seu precioso “vil metal” aos seus credores de sempre.

Numa outra frente as lideranças atuam para ajustar ou atualizar a lei de 1983, num processo intensivo de negociação que se desenrola desde 2008, com tensionamentos naturais, mas com posições clara e intangíveis dos trabalhadores contra qualquer retrocesso. Propostas como criar uma sub categoria de vigilantes, vigilantes auxiliares ou Junior, como alguns costumam chamar ou até mesmo a recriação do vigia, não cabe em nosso contexto. Também, sob o discurso da modernidade, tentam trazer uns malotes de tinta, que por aqui é de fogo, que fragiliza a segurança dos vigilantes e desemprega quase metade dos trabalhadores que atuam no transporte de valores.

Sem duvida os novos tempos é de mais e maiores desafios que imaginamos bons desafios, não somente porque não fugimos deles, mas porque estamos preparados para eles. Provamos que somos bons de briga e de luta.

Os passos são de valorização, respeito e avanços, de ocupar o nosso lugar na historia, na sociedade em que vivemos.

Até a vitoria.

Por José Boaventura Santos